A Didática em Questão - Vera Maria Candau
Didática - trata do aspecto considerado objetivo e racional do processo de ensino-aprendizagem, como estratégias de ensino, seleção de conteúdo, avaliação, etc.
A didática passou por vários estágios de desenvolvimento, sendo iniciando por um primeiro estágio de pesquisa, onde foi defendido um discurso escolanovista, onde afirmava-se a necessidade de partir dos interesses espontâneos e naturais da criança, dos princípios de individualização, de atividade, de liberdade que estão na base da proposta. Num segundo momento, por questões políticas, a educação é vinculada à Segurança Nacional. Ela se politiza. A visão da educação se torna industrializada, focando na produtividade, eficiência, racionalização, operacionalização e controle. A partir daí, o confronto entre o 1º momento e o segundo se contrapõem, entre o racional e o afetivo. Agora, a construção de instrumentos de avaliação, a instrução do governo para um modelo de conteúdo básico são a base da Didática. Então, na prática, acaba não se articulando com o contexto social, pois as condições são precárias, as salas são superlotadas, os conteúdos inadequados, etc...
Hoje a busca por um modelo de uma nova forma de ensinar, para que minimize essas problemáticas socias e que torne possível a aproximação entre alunos e professores e sua realidade se torna urgente. Ainda encontramos barreiras entre o desejo de um novo método de ensino, com uma didática mais moderna, e a idéia congelada de uma escola tecnicista que forma as massas, que educa para o mercado de trabalho e não para a edificação do ser, que reflete e questiona.
Filosofia da Educação - Cipriano Carlos Luckesi
Filosofia da Educação - Cipriano Carlos Luckesi
Didática: elemento articulador entre Pedagogia e prática docente
Didática - mediação necessária para garantir a tradução da teoria pedagógica em prática pedagógica.
A escola tem princípios importantes a serem considerados, uma vez em que nela está contido o conservadorismo e os gérmens da transformação social; a postura politizada que é inerente de quem ensina, agindo na transformação da maneira de pensar da sociedade como um todo; o dever de exercer um papel crítico de elevação cultural do indivíduo e da sociedade e a postura mediadora do professor, uma vez detentor do conhecimento, que tem como obrigação provocar nos alunos elevação cultural, de forma que estes dêem um salto, da interpretação cotidiana para a compreensão elaborada da realidade, provocando uma mudança em sua forma de ver o mundo e de tudo que o compõem.
A prática didática é constituída de alguns passos as serem seguidos, sendo eles:
Planejamento - ato decisório de tomada de decisões. Sendo este realizado, pode e deve ser registrado.
Execução da ação planejada e avaliação da ação executada - é preciso estar ciente da finalidade do ato que se vai praticar, onde as soluções de encaminhamento do exercício do ensino terão que ser formuladas criteriosamente na prática, de maneira que a cada aula, a ação-reflexão permitirá que o professor veja com mais clareza se o que foi planejado está tomando o caminho desejado. Essa auto-avaliação vai tornar o que foi planejado mais apropriado e eficiente, dando novos rumos (se necessário) ao que foi proposto no início das atividades letivas.
Avaliação
Pensando sobre avaliação e refletindo sobre o texto desse mesmo conteúdo, que mostra a existência de várias maneiras de avaliar, sendo exemplificadas as concepções autoritária, espontaneísta e democrática, me recordo que já passei por esses estágios e que a maneira que vejo a educação e a avaliação mudaram ao longo dos anos. Iniciei, sendo autoritária, impondo uma concepção conservadora, pois tinha uma visão altamente tecnicista sobre o assunto. Eu confundia autoridade com autoritarismo.
Por fim, acredito eu que hoje eu tenho uma postura democrática, onde intervenho na prática pedagógica, sem impedir que os alunos tragam outros materiais e procuro observar se eles realmente estão absorvendo o conteúdo dado ou somente estão reproduzindo.
Para mim, nota não tem uma importância significativa. A questão de avaliar por notas para mim não demonstra o que o aluno realmente aprendeu. Para mim a prática supera a teoria e o desenvolvimento é uma constante. Cada aluno tem um tempo de aprendizado e hoje eu prezo isso. Hoje eu vejo cada aluno como um ser individual, me reavaliando a cada aula e me questionando nos pontos positivos e nos negativos da minha prática diária.
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