quarta-feira, 29 de junho de 2011

Musica e Expressão pelo Movimento - Entrevista

Clóvis Borges Borges, querido amigo, instrumentista e professor de musica, formando da Faculdade Mozarteum de São Paulo no curso de bacharelado em Violoncelo, no dia 15/06/2011.

Local da entrevista : Sala de aula da escola Arte Music

Quais são as influências que a música te provoca quando você toca?
Na música, na verdade, você tem que incorporar o instrumento, para que o seu corpo  seja uma extensão do instrumento para poder soar bem, a relação é física mesmo, e acho que essa relação deve ser bem trabalhada.

E que forma, no formato que a gente tem de aula você acha que propicia esse movimento do corpo com o instrumento ou não?
Quando eu estou dando aula sim, quando eu estou tendo aula não. Quando eu estou tendo aula eu percebo um descaso que o professor teve comigo que eu tento não passar para o aluno, e acho que o jeito de pegar no instrumento não é tão importante quanto a própria anatomia em si do instrumento, ou seja, se a corda está muito alta, se está muito baixa, sendo que às vezes você fica 2, 3 anos com a corda alta e o seu professor não fala, aí você vai dar aula para um aluno e você vê que a corda está alta e você fala.

Então, o professor não se preocupa com essa relação de tornar o instrumento confortável para tocar?
Na verdade, como eu comecei um pouco tarde a estudar, e na maior parte dos meus estudos foi auto-didata, então eu acho que os professores pensam que eu já sei das coisas, então eles acabam não falando, porque eles acham que tem que falar só para as criancinhas,e eu acho que eles pecam nesse sentido, de não falar porque eles acham que eu já entendo, que eu já sei. Tanto é que quando a gente entra na faculdade, por exemplo, o pessoal acha que você já sabe harmonia, contraponto e que só entrou na faculdade para tirar o diploma, e às vezes não é isso. Às vezes você chega lá sem saber harmonia, toca prá caramba sem saber harmonia, porque seu instrumento é solo, e vai ter que aprender harmonia lá, e eles não estão preparados para ensinar, eles estão preparados para te fazer passar na prova.

Como você acha que o seu corpo se mostra nas aulas que você faz, quando você está dando aula e quando você está tendo aula? Você acha que pelo conhecimento que você tem, você acha que seu corpo ainda não está adaptado o suficiente para tocar bem o instrumento e precisa ainda ser corrigido?
O instrumento que eu toco, o violino (eu não toco mas eu sei dar aula), eu acho que o violino é um dos instrumentos mais esquisitos com relação à postura, e o cello também. Não tem como dizer que o cello não é esquisito, e acho que sempre vai ter o que se corrigir. Eu acho que nunca vai chegar o momento que eu vou falar que o cello incorporou no meu corpo que nos tornamos um só. Pode ser que chegue, mas eu não estou sentindo tão próximo assim. Eu acho que ainda tenho muito que me adaptar ainda.

Como você procura manter o seu corpo para uma boa execução?
Relaxado, mas nem sempre acontece. Às vezes ele fica mais tenso do que relaxado.

Quais são os melefícios dessa atitude musical?
Dor no corpo: no braço, no ombro, na coluna, no dorso, às vezes até dificuldade de respirar.

E com relação ao tempo que o músico tem que se dedicar, você acha que ele deve se preocupar com isso? E essa busca pelo relaxamento interfere no som?
Eu acho que se todo músico buscasse isso primeiro, ao invés de buscar sonoridade e escutar quem toca melhor, quem toca pior, tocaria bem melhor se se preocupasse primeiro com o corpo, em se adequar, à posição certa do instrumento, em tocar incorporando o instrumento, em ser a extensão do instrumento. No entanto, se o professor fica falando 2 semanas sobre isso, o aluno pensa que o professor está enrolando, e acho que a postura é muito importante. Tanto é que a postura tem  que ser bem trabalhada, tanto quanto a sonoridade, o que não é feito.

Quais são as vantagens e as desvantagens da postura erudita? Da maneira como você segura o instrumento? Quais são as modificações que você tem que fazer no seu corpo para você conseguir tocar?
Eu acho que o meu instrumento não tem diferença entre o popular e o erudito na hora de tocar. O violão já tem.Você pode ficar mais despojado, de uma maneira que você pode ficar mais relaxado e aí você toca. E para tocar as peças do erudito no violão, você tem que ter a posição do erudito. No violoncelo, não tem postura erudita e popular, só tem postura erudita, o jeito de pegar no instrumento é igual.

Como você busca equilíbrio entre corpo e mente no seu fazer musical?
Eu acho que tem que soar naturalmente. Eu não acredito que eu deva buscar um caminho (se eu sentar na cadeira x ou na cadeira y eu vou tocar melhor). Às vezes eu vejo um lugar que ficou melhor e tento fazer isso mais vezes nesse lugar, nessa posição, a coluna mais encostada no encosto da cadeira ou não, às vezes você senta no encosto da cadeira e não favorece, e em cada lugar que você vai tocar tem uma cadeira diferente. Acho que o ideal seria você levar a cadeira que você se acomodou no estudo para todo lugar (levar o violoncelo e a cadeira, por exemplo). A cadeira que eu gosto de tocar é a cadeira que eu estudo, onde me adaptei com a altura. Então eu pesquiso se eu vou encostar ou não, para onde o assento joga a minha coluna, se sempre mais pra frente, sempre mais pra trás...Fiz umas adaptações na minha cadeira para eu poder ter minha coluna jogada para frente, porque tem cadeira que joga a coluna prá trás para você encostar na cadeira, e para tocar é exatamente o contrário, a coluna deve ser jogada para frente.Tem violoncelista que leva um apoio de uma espuma bastante densa ou de madeira para apoiar as costas, para ficar com o bumbum para trás e a coluna inclinada para frente, porque nenhum designer desenha uma cadeira especial para tocar violoncelo. Deveria haver esse tipo de preocupação no teatro, em ter cadeiras apropriadas para jogar a coluna dessa forma, e não tem.

Como você sente e percebe o seu corpo quando você está dando aula?
Normalmente, eu dou aula de pé e às vezes sentado, mesmo porque as minhas aulas não duram 45 minutos, às vezes, dependendo do aluno chega a durar até 3 ou 4 horas, então não tenho preocupação de ficar na postura correta, porque eu não uso o instrumento para dar aula, não dou aula por imitação.

E quais são as orientações que você dá aos seus alunos sobre a postura para tocar o instrumento?
Eu passo o que foi passado prá mim, cada professor passa de um jeito a maneira ideal para segurar o arco,  mas acaba resultando que o aluno vai achar o jeito dele; da maneira mais parecida que a gente faz, mas ele tem que encontrar o jeito dele. O cello, por exemplo, oferece muita resistência no começo, mesmo porque não tem afinação, é esquisita a maneira de pegar e demora pra quebrar a resistência; mas depois que quebra a resistência, eu acho que vai bem, mas no fim, o aluno é que acaba descobrindo sua maneira mais adequada de tocar. Eu só oriento no sentido de como é a postura, se deve sentar na ponta da cadeira, ou seja, eu oriento até a página 10 (na maneira de falar). Agora, quando eu vejo que o aluno está com uma postura que ele se sente bem, está soando bem, se ele estiver sentado no encosto da cadeira, eu deixo. Eu já fiz várias experiências com o cello, tocando-o de várias maneiras diferentes, em pé, sem o espigão, e acho que se o cello fosse apoiado no pescoço como o sax, por exemplo, acho que ficaria até melhor de tocar, mesmo porque não é todo o chão que tem um buraco para apoiar o espigão, então ele escorrega.

Como foi a sua relação quando mudava de professor,com relação à postura, ao segurar o arco?
Na verdade, o meu primeiro professor me ensinou a segurar o arco de uma maneira que o segundo professor não concordou. Então ele mudou, e achei diferente, achei melhor, e mudei. Não porque eu achava que o outro estava errado, mas porque a sonoridade realmente ficou  melhor pra mim. Então o terceiro falou que realmente estava melhor, e trabalhou a sonoridade A busca é sempre pela sonoridade, o jeito que você vai pegar no arco não importa, se a sonoridade está legal, não importa a escola, acho que você tem que achar prá tua mão a posição que fica melhor, de uma maneira que não doa, porque se doer está errado.

Qual a importância que você atribui ao gestual musical, seja no lecionar, seja no tocar?
Reger ou o manosolfa, eu acho importante, porque o aluno vai se deparar com algumas situações em que é necessário o conhecimento do gestual da regência. Se ele não tiver contato com a regência agora, mais tarde ele não vai saber como se comportar, porque olhar para o regente, é uma tarefa que exige um pouco de prática. É importante o aluno acostumar desde cedo com essa prática.

A postura para tocar é igual para todos os alunos?
Não. Cada uma tem que procurar a postura que se adéqüe melhor e que não doa. O importante é não doer.

É possível dissociar a linguagem gestual da linguagem musical?
Tanto um quanto o outro tem que ser bem natural, porém acho que não, pois um está ligado ao outro, inclusive a respiração que é muito importante na hora de tocar.

Você acha que a escola está preocupada com a expressão corporal? Você acha que ela pode auxiliar no aprendizado musical?
Acho que essa preocupação é do professor, a escola não pode ser responsabilizada. De repente a escola poderia fazer reuniões com os professores para alguma orientação nesse sentido. 
Ás vezes, o aluno não está preparado para receber essa orientação, existe uma pressa muito grande, em tocar, na segunda aula, o aluno quer sair tocando, então depende também do aluno aceitar receber essas orientações.



Minhas observações sobre a entrevista 


A entrevista me fez relembrar conceitos e lições adquiridas durante esses anos em que estudo música.
Me fez perceber que me sinto impaciente quando estou ensinando, apesar de ter a consciência da importância de uma postura correta, sabendo que demora um certo tempo para sentir que o violino está somente encaixado no pescoço, sem tensão.
É muito estranha a sensação de tocar um instrumento que não se vê, só se sente, e que todo o movimento é feito somente pela memória tátil. Porém, depois de um certo tempo, essa sensação se torna tão familliar que não lembramos das dificuldades do começo do aprendizado. 
Quando a gente estuda um instrumento, na verdade, estamos nos conhecendo, conhecendo melhor os nossos limites e ultrapassando nossas dificuldades; pois a música nos leva para uma viagem interior, dia a dia, nos fazendo enxergar nossos defeitos, nossas qualidades, onde somos atraídos pelo belo, pelo perfeito, pelo intocável, na busca incessante por essa luz que existe somente dentro de nosso interior.







domingo, 26 de junho de 2011

Musica e Expressão Pelo Movimento

14/03/2011

É muito interessante a sensação que as diferenças de andamento dá quando experimentamos  individualmente e com o grupo.
Quando estamos no meio do grupo e percebemos o grupo me faz lembrar da época que iniciei minhas experiências musicais em orquestra e o olhar que temos  inicialmente e ele vai se abrindo conforme o tempo vai passando. Inicialmente é difícil sentir o grupo como um todo, sendo que o individual é mais forte do que o coletivo. É notório também o esforço do maestro em levar o grupo junto, apesar de eu achar que na maioria das vezes o maestro também não tem consciência do que realmente está acontecendo no grupo, inicialmente, e aos poucos tudo vai tomando corpo e todos os sons vão se tornando uma coisa só. Entretanto ele tenta levar o grupo como um só elemento e isso realmente é desgastante. Projetar o olhar. É difícil olhar no olho de outra pessoa. Inicialmente projetar o olhar é difícil. Imitar também é uma tarefa desafiadora, pois penso que ai existe uma certa exposição, e isso de certa forma intimida. Pra mim, o  ponto mais culminante e mais emocionante da aula foi o espelho na roda, com a música A Morte do Cisne, da suíte Carnaval dos Animais, do compositor Saint-Saens.

Interpretação de Jonh Lennon da Silva, no programa Se ela dança eu danço - Impressionante!!!

21/03/2011


Texto – O movimento que recria o mundo: um colóquio pedagógico- musical entre Laban e Koellreutter – Sonia Silva.

Pensando no elo que existe entre o movimento e a música, ou vice e versa, existe algo que é intrínseco os dois e ao próprio ser humano, que pulsa assim como o coração, como em uma orquestra trabalha em cooperação com os outros órgãos, tornando assim possível a vida.
A evolução do homem se da em 4 grandes divisões, segundo Koellreuter: mágico, pré racionalista, integralizador, onde podemos ver a passagem desses períodos através do desenvolvimento de uma criança.
Mágico: somente há consciência de 2 realidades: ele e a natureza, onde a música tem papel de preservar a vida. O ritmo é constante, não havendo diferença de dinâmica, pulsação.
Pré-racionalista (séc. VII – VI a.C)- inicia-se  preocupação com o tempo e espaço. Na separação entre Deus e o homem, onde a música serve para fazer um elo de ligação entre os dois.
Racionalista (séc. XIV - XX a.C)- descoberta da perspectiva. Surge a harmonia e a melodia ganha  seu grau de importância. As peças sã divididas em  movimentos. Surgem frases musicais, as consonância, a dissonância. Há uma descoberta imensa em todas as áreas do conhecimento.
Consciência integradora: Séc. XX.   Após a descoberta da física quântica a relação de tempo-espaço transformam-se. Há uma transcendência em todas as partes do conhecimento humano.
Na dança, a partir da segunda metade do século XX há uma preocupação muito grande em integralizar o ser humano em todos os aspectos tornando assim mais reforçado essa dicotomia artificial, mente e corpo.
Laban distribuiu em 4 fatores comuns a todo e qualquer movimento: fluência – espaço – tempo – peso.
Tempo: está diretamente ligado ao tempo interior de cada um.
Fluência: há distinção entre fluência livre da fluência controlada , onde a livre propicia movimentos para fora , e a controlada para dentro, sendo a tensão liberada ou contida, onde na controlada há  a presença da marcação de pulso e na livre há a ametria.
Espaço: direções, extensões, caminho e velocidade (estica – dobra).
Peso: remete-se à intensidade da musculatura, energia, onde a preocupação com o timbre musical é fator determinante para um bom desenvolvimento do gesto musical
Gesto musical e gesto corporal: são movidos por energia mental, emocional, física. Ambos manipulam o tempo – Lento/Súbito/Sustentado/Curto/Longo.
Os parâmetros do som  são assim trabalhados na busca de uma leitura significativa e expressiva da frase corporal.
Essa busca pela integralização dos dois conceitos corporal e musical nada mais é do que a busca pelo desejo de entender o ser humano como um só, com toda a sua complexidade. Num primeiro momento, a dissociação de vários elementos inerentes ele e o entendimento de cada aspecto individualmente tornou-se necessária.
Estamos caminhando para a integralização, para uma nova visão da vida, onde tudo se movimento em perfeita sincronia, sendo necessária essa busca para uma nova visão de mundo, unindo o concreto com o subjetivo; e assim caminhando para uma nova forma de ensinar, para um novo conceito de educação.

28/03/2011
Rudolf  Laban – Coreografia -  Dança estudo

Rudolf Laban (1879-1958) nasceu em Austro-Hungria. Laban foi um bailarino, coreógrafo e teórico da dança / movimento. Um dos fundadores da Dança Moderna Europeia, Laban elevou o status da dança como uma forma de arte, e suas explorações na teoria e na prática da dança e do movimento transformou a natureza da bolsa de dança.
Na busca de uma maior precisão corpórea, Laban se utiliza de figuras geométricas para dar suporte à movimentaçao do ator-dançarino. Ele propõe a escala dimensional, respeitando a relação entre altura, largura e comprimento das figuras geométricas como o cubo, o tetraedro, o octaedro, o icosaedro e o dodecaedro. Dessa forma, ações dramáticas podem ser realizadas nas posições dos vértices dessas figuras, bem como em suas diagonais, de forma que o ator atua ampliando a sua kinesfera, buscando uma limpeza gestual e organicidade, assim, consequentemente ele também amplia seu espaço cênico A abordagem da dança sob uma perspectiva labaniana permite ao artista e ao leigo compreender, desconstruir e transformar a arte da dança em seus aspectos coreográficos, técnicos e de fruição.
No Brasil Laban é mais conhecido como teórico do movimento e educador. Mais recentemente, seu trabalho vem recebendo um olhar mais aprofundado sob a perspectiva da arte, da criação estética, da linguagem da dança e da comunicação não-verbal.
A bailarina, coreógrafa e educadora Maria Duschenes foi uma das introdutoras deste método no Brasil, tendo formado gerações de alunos que utilizam a referência de Laban em seus trabalhos de criação e em suas atividades de arte-educação.

Criar movimento foi uma tarefa difícil, porque estamos acostumados a cumprir as ordens dadas pelos professores. Imitar também foi interessante porque exigia percepção do inesperado, não dava pra prever o que o outro fazia. Isso dava uma sensação de impotência e de falta de controle sobre uma determinada situação que ainda estaria por vir, onde nossa atenção teria que estar 100% no gesto do outro. Improvisar. Não controlar. Não é o que aprendemos no erudito e a sensação do não controle é muito estranha, porém agradável. Mas incomoda e traduz as dificuldades da personalidade de cada um.
É interessante notar as diferenças e torná-las claras com relação ao andamento e a intensidade dos movimentos. Eu nunca tinha notado com tanta clareza e exatidão a diferença desses movimentos. Olhá-los com uma nova ótica.

04/04/11

Ainda eu não tinha notado a importância das minhas articulações. Tudo vai tomando forma aos poucos... A brincadeira dos fiozinhos foi curiosa, pois além de pensar no movimento que eu estava fazendo... Também pensava como seria o movimento que o meu parceiro faria com a articulação que eu estava determinando.  Quando se determinou a nova atividade, da composição coreográfica, a princípio eu observei o grupo com o qual eu ia participar e notei o medo da exposição e da evidência em todos eles, porque ninguém queria conduzir o grupo . Porém esperei que determinassem a titulo de observação. Quando ninguém quis, me ofereci. Aí então comecei a me observar e notei uma enorme dificuldade em não fazer o movimento que eu pensava que eles deviam fazer, sendo, às vezes, corrigida por eles. Foi divertido!!!

11/04/2011
Atividades dadas na aula:
-Deslocamento em grupo (cardume)
-Visualização dos espaços internos, o contorno do corpo em relação ao espaço, tamanho do corpo em relação ao espaço.
- Arredoma sonoro- preenchendo com som o espaço que circunda o próprio corpo.
-Exercícios em grupo em 5 – emitir um som no centro da roda, a roda vai ser abrindo e o som vai se espalhando.
-Dança – p,m,g –um dos integrantes vai ao centro da roda e ocupa o espaço delimitado pelo grupo.
-Ouvinte/ Narrador – um contava a história enquanto o outro ouvia.


18/04/2011

Octaedro (kinesfera)


Essa aula foi interessante, porque foi dada a explicação do olhar sobre o movimento, o que nem sempre damos a atenção devida.
Quando fizemos a composição coreográfica, na minha condição de regente, senti dificuldade em “reger pelo olhar” e pelo fiozinho onde na maioria das vezes, sem perceber, meu corpo fazia o mesmo movimento que eu tinha pensado sendo corrigida pelos meus colegas. Era inconsciente. Foi divertido e a posição de regente deu um certo sabor de onipotência. Consciente, é uma sensação ruim em não pensar se o grupo vai conseguir fazer ou não o exercício. Inconscientemente, é uma sensação prazerosa.
- Qual é a contribuição disso tudo em sua atuação no campo musical?
No meu caso, onde ensino pessoas tocarem violino, e frequentemente monto pequenos grupos, esses exercícios vão me ajudar a comandar o som com mais exatidão e me fazer ser entendida com mais clareza. Vai ser mais fácil ensinar a abrir o campo de visão para entender o que os outros estão tocando e o que está acontecendo no geral.

25/04/2011
É incrível como não conhecemos o próprio corpo, que habitamos desde que nascemos. As articulações, as possibilidades de movimentos, tudo parece ser novo a partir do momento que a gente toma consciência. E quando isso acontece, jamais é esquecido, tanto a sensação quanto a teoria.
Com relação a imitar como os outros sentam, foi estranho, desconfortável.
A composição coreográfica foi divertida, e muito interessante também. Eu nunca imaginei estar fazendo exercícios como esses dados dentro da sala de aula, exercícios tão simples e que nos dão uma tomada de consciência tão grande. Está começando a interferir no meu trabalho como educadora musical, onde me faz pensar em direcionamentos, o que não passava pela pauta de meus planejamentos até então.

02/05/2011
Fonte: http://maiseducacaomusical.wordpress.com
Todas as vezes que iniciamos um exercício sobre o olhar, a sensação é diferente, porém em minha mente vem duas lembranças: da época em que eu estava na escola pública e da época que eu tocava na orquestra. Nas duas situações  era cobrado o olhar, o direcionamento da atenção.
Quando o professor está na frente de um grupo ele tem a postura muito semelhante com a do maestro. Levar um grupo a um determinado resultado, seja ele uma “elevação cultura” ou a reprodução de uma música qualquer, em ambos os casos o desgaste é certo. Porém, quando nos é incitado a consciência de um direcionamento creio que o trabalho coletivo tem um resultado mais rápido, porque todos participam. E então fica mais leve.
O olhar múltifocado me faz lembrar as crianças que tem dificuldade de concentração, e é muito cansativo, são muitas informações registradas pelo cérebro, e muitas não são compreendidas pelos educadores, que por sua vez não tem preparo necessário para enfrentar situações como essa.
09/05/2011

Exploração dos movimentos em planos alto, médio, baixo. É engraçado e interessante fazer esse tipo de movimento... é divertido esse tipo de exploração...

Reflexão: Qual é a forma que nosso corpo toma dentro do espaço e sua kinesfera?


Fonte: http://maiseducacaomusical.wordpress.com/category/3-musica-e-expressao-pelo-movimento/page/2/

16/05/2011

Continuação do assunto dado na aula da semana passada...
 
Fonte: http://maiseducacaomusical.wordpress.com/category/3-musica-e-expressao-pelo-movimento/page/2/

23/05/2011




-Peso – força/energia.
-Leve, fraco, Firme, forte.
-Dinâmica/Peso/Tempo/Espaço/Fluência.
É diferente o olhar para tudo o que existe: as pessoas, as coisas, meu corpo, meus braços...
Pensando nas propriedades da dança corpo/espaço... Tudo parece que tem mais importância e toma um lugar dentro do todo maior do que eu havia visto e (me) sentido. Quando eu montava as minhas coreografias de dança não pensava em tudo isso, eu ia montando as sequências de acordo com a música, e agora , lembrando de como eu me sentia, parece que tudo se torna maior do que era.

30/05/2011

Quando iniciamos a atividade de experimentar os andamentos andando, para mim o acelerado/ correr me dá uma sensação muito boa de como era bom correr nos meus tempos de criança. Parece que essa sensação se quebra nos andamentos menos acelerados. A sensação é a mesma quando “medimos força”, me faz lembrar a brincadeira “guerra de braço” .
 Fonte:http://maiseducacaomusical.wordpress.com/category/fotos-atividades-em-aula/

06/06/2011
Ações do esforço
  
Leve – Lento- Indireto: flutuar 
Leve – Lento – Direto: deslizar
Leve – Rápido – Indireto: pontuar
Leve – Rápido – Direto : chacoalhar/ brilhar
Firme – Rápido – Indireto: chicotear
Firme - Rápido - Direto: socar
Firme - Lento – Indireto:  torcer
Firme – Lento – Direto : pressionar

É engraçado como  com os conceitos os movimentos se tornam mais claros... Quando penso em música e nos movimentos apresentados nas músicas que ouvimos me vem à mente muitos exemplos que já ouvi, toquei... E com relação a essa dinâmica não posso esquecer da dança, que para mim e meu corpo estão tão  presentes. Os sons marcados e/ou  leves, o contraste de dinâmicas súbito que já estiveram em minhas coreografias... Tudo vem à tona. Me vem à mente também o movimento do ser em si, dos alunos que já passaram, por mim, cada um com uma velocidade, rápido/lento no aprendizado e entendimento das matérias dadas... E se pensarmos mais a fundo tudo tem uma ação do esforço... Aí dá para ir bem mais além... O movimento do mar, dos pássaros enfim... É muito bacana e muito interessante ver esses conceitos, o que faz do aprendizado musical muito mais rico.
 13/06/2011

Escutamos a música levada pelos alunos e fizemos conexão som / movimento.
Todos nós temos tendências.
As minhas e a da maioria: movimentos leves, lentos.
Hoje vejo com outro olhar os movimentos nas músicas apresentadas. Achei bem interessante os outros estilos musicais que eu não conhecia.É muito bom ver a transformação que essa disciplina trouxe para todos nós, e o maior legado são as sensações e lembranças que levaremos em outro nível de consciência. Isso se multiplicará dentro de nossas salas de aula, pois começamos a transformar o mundo a partir da transformação que acontece dentro de nós.

31/12/2011

Ouvir música faz o cérebro inteiro se iluminar

Poder ativador da música

Cientistas da Finlândia descobriram uma nova técnica inovadora que permite estudar como o cérebro processa diferentes aspectos da música.
Em uma situação realística de "curtir a música predileta", a técnica analisa a percepção do ritmo, tonalidade e do timbre, que os pesquisadores chamam de "cor dos sons".
O estudo é inovador porque ele revelou pela primeira vez como grandes áreas do cérebro, incluindo as redes neurais responsáveis pelas ações motoras, emoções e criatividade, são ativadas quando se ouve música.

Cérebro iluminado

Os efeitos da música sobre as pessoas sempre foram mais assunto de poetas e filósofos do que de fisiologistas e neurologistas.
Mas os exames de ressonância magnética permitem gerar filmes que mostram como os neurônios "disparam", literalmente iluminando cada área do cérebro nas imagens produzidas na tela do computador.
Para estudar os efeitos de cada elemento musical sobre o cérebro, o Dr. Vinoo Alluri e seus colegas da Universidade de Jyvaskyla escolheram um tango argentino.
A seguir, usando sofisticados algoritmos de computador, eles analisaram a relação das variações rítmicas, tonais e timbrais do tango com as "luzes" produzidas no cérebro. 

Emoção na música

A comparação revelou algumas coisas muito interessantes, mostrando que a música ativa muito mais áreas do que aquelas relacionadas à audição.
Por exemplo, o processamento dos pulsos musicais aciona também áreas do cérebro responsáveis pelo movimento, o que dá suporte à ideia de que música e movimento estão intimamente relacionados.
As áreas límbicas do cérebro, associadas às emoções, estão também envolvidas no processamento do ritmo e da tonalidade.
Já o processamento do timbre depende de ativações da chamada rede de modo padrão, associada com a criatividade e com a imaginação.
Além do interesse científico, estas informações são valiosas para compositores, que poderão "mexer" em suas melodias dependendo da emoção que querem transmitir com suas músicas.

Fonte:http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=ouvir-musica-faz-cerebro-inteiro-se-iluminar&id=7233
Bem, essa certeza de que a musica interage e ajuda no desenvolvimento dos movimentos corporais Rudolf Laban e Jacques Dalcroze já desenvolviam em suas pesquisas e aplicações. A diferença, no meu entendimento, é a imagem, pois intuitivamente essa prática já era efetuada desde a primeira metade do século XX.


sexta-feira, 24 de junho de 2011

Didática - Textos

A Didática em Questão - Vera Maria Candau

Didática - trata do aspecto considerado objetivo e racional do processo de ensino-aprendizagem, como estratégias de ensino, seleção de conteúdo, avaliação, etc.
A didática passou por vários estágios de desenvolvimento, sendo iniciando por um primeiro estágio de pesquisa,  onde foi defendido um discurso escolanovista, onde afirmava-se a necessidade de partir dos interesses espontâneos e naturais da criança, dos princípios de individualização, de atividade, de liberdade  que estão na base da proposta. Num segundo momento, por questões políticas, a educação é vinculada à Segurança Nacional. Ela se politiza. A visão da educação se torna industrializada, focando na produtividade, eficiência, racionalização, operacionalização e controle. A partir daí, o confronto entre o 1º momento e o segundo se contrapõem, entre o racional e o afetivo. Agora, a construção de instrumentos de avaliação, a instrução do governo para um modelo de conteúdo básico são a base da Didática. Então, na prática, acaba não se articulando com o contexto social, pois as condições são precárias, as salas são superlotadas, os conteúdos inadequados, etc...
Hoje a busca por um modelo de uma nova forma de ensinar, para que minimize essas problemáticas socias e que torne possível a aproximação entre alunos e professores e sua realidade se torna urgente. Ainda encontramos barreiras entre o desejo de um novo método de ensino, com uma didática mais moderna, e a idéia congelada de uma escola tecnicista que forma as massas, que educa para o mercado de trabalho e não para a edificação do ser, que reflete e questiona.

Filosofia da Educação - Cipriano Carlos Luckesi

Didática: elemento articulador entre Pedagogia e prática docente

Didática - mediação necessária para garantir a tradução da teoria pedagógica em prática pedagógica.

A escola tem princípios importantes a serem considerados, uma vez em que nela está contido o conservadorismo e os gérmens da transformação social; a postura politizada que é inerente de quem ensina, agindo na transformação da maneira de pensar da sociedade como um todo;  o dever de exercer um papel crítico de elevação cultural do indivíduo e da sociedade e a postura mediadora do professor, uma vez detentor do conhecimento, que tem como obrigação provocar nos alunos elevação cultural, de forma que estes dêem um salto, da interpretação cotidiana para a compreensão elaborada da realidade, provocando  uma mudança em sua forma de ver o mundo e de tudo que o compõem.

A prática didática é constituída de alguns passos as serem seguidos, sendo eles:

Planejamento - ato decisório de tomada de decisões. Sendo este realizado, pode e deve ser registrado.

Execução da ação planejada e avaliação da ação executada - é preciso estar ciente da finalidade do ato que se vai praticar, onde as soluções de encaminhamento do exercício do ensino terão que ser formuladas criteriosamente na prática, de maneira que a cada aula, a ação-reflexão permitirá que o professor veja com mais clareza se o que foi planejado está tomando o caminho desejado. Essa auto-avaliação vai tornar o que foi planejado mais apropriado e eficiente, dando novos rumos (se necessário) ao que foi proposto no início das atividades letivas.

 Avaliação 


Pensando sobre avaliação e refletindo sobre o texto desse mesmo conteúdo, que mostra a existência de várias maneiras de avaliar, sendo exemplificadas as concepções autoritária, espontaneísta e democrática, me recordo que já passei por esses estágios e que a maneira que vejo a educação e a avaliação mudaram ao longo dos anos.
Iniciei, sendo autoritária, impondo uma concepção conservadora, pois tinha uma visão altamente tecnicista sobre o assunto. Eu confundia autoridade com autoritarismo.
Depois, passei pelo modelo espontaneísta, onde as minhas interferências não eram muito acentuadas. Para mim, também não foi uma experiência muito acrescentadora.
Por fim, acredito eu que hoje eu tenho uma postura democrática, onde intervenho na prática pedagógica, sem impedir que os alunos tragam outros materiais e procuro observar se eles realmente estão absorvendo o conteúdo dado ou somente estão reproduzindo.
Para mim, nota não tem uma importância significativa. A questão de avaliar por notas para mim não demonstra o que o aluno realmente aprendeu. Para mim a prática supera a teoria e o desenvolvimento é uma constante. Cada aluno tem um tempo de aprendizado e hoje eu prezo isso. Hoje eu vejo cada aluno como um ser individual, me reavaliando a cada aula e me questionando nos pontos positivos e nos negativos da minha prática diária.

Didática - Questões

Qual o meu projeto de sociedade?
Trabalho para ensinar de uma forma mais consciente, contrária da qual eu aprendi.Trabalho para que um dia eu possa ensinar musica para aqueles que não tiveram condições financeiras de estudá-la. Trabalho para que a música traga felicidade para aqueles que a estudam e para aqueles que os norteiam, aumentando sua auto-estima, seu amor próprio e melhorar sua relação com seus familiares, estreitando seus laços afetivos. Trabalho para que a sociedade seja mais humana, mais justa, procurando ensinar que os indivíduos tem que se respeitar, respeitar o próximo, e principalmente buscar aquilo que está dentro de si, conhecendo a si mesmo. Procura-te. Encontra-te. Realiza-te. Essa é a chave para a felicidade.
Trabalho para trazer àqueles a quem ensino uma nova visão de mundo, mais crítica , e mostrar que assim como a música, tudo na vida tem o mesmo processo: tudo que nos dedicamos tem um bom resultado, e tem que ser feito com amor. Trabalho para que um dia eu possa montar uma grande orquestra (e ela já está nascendo!!!) , e outras orquestras, para que a música se difunda, a cada dia, na vida das pessoas, para que quando eu já não estiver por perto, esses grupos possam caminhar por si. Todos tem um grande potencial: o de aprender. E, como uma aluninha de 6 anos na época me disse: "É fácil!" - eu acho que a gente é que complica... 

Como a música pode contribuir para realizá-la?
Vide resposta acima.

Como a música pode contribuir para para realizá-la?
Trabalhando com o ser humano em sua essência mais pura, a descoberta de si mesmo.

Que princípios teóricos e filosóficos orientam minha ação?
Procuro utilizar a escola italiana, como técnica e os conceitos filosóficos da filosofia Suzuki, que diz que "Educação é amar".

Para mim, o que é educar musicalmente?
É trabalhar com conceitos técnicos, mas sem esquecer do lado humano, de respeitar e impor limites, procurando demonstrar valores, procurando traçar sempre novos objetivos para o aluno.

Quais são os pontos fortes da minha personalidade criadora?
Na minha prática de ensino procuro estar próxima dos alunos e de seus familiares, o que faz com que eu mantenha laços de amizade e de confiança, me dando a liberdade para impor limites, cobrar resultados e  incentivá-los em quaisquer caminhos que queiram seguir na vida.

Para quê ensinar música no contexto onde atuo?
Trabalho com pessoas. Trabalho em escolas de música. Esses já são motivos o suficiente para eu me empenhar em fazer o melhor que eu puder na área musical.

Ao final do processo que competências e habilidades o aluno deverá ter obtido?
Questões como postura e afinação são dois conceitos básicos a serem trabalhados. Esse é o início para o processo musical com o violino. Depois, a prática interpretativa é essencial.Ver a música como música, e não como notas, entendendo-a como uma linguagem. 

A fim de concretizar minhas intenções educacionais, o que deve ser ensinado?
Trabalho um pouco a técnica, escalas , arpejos, interpretação, respiração. O violino tem que fazer parte do instrumentista e vice-versa.

Como tais princípios se tranformam em princípios metodológicos para a ação?
Procuro ensinar passo a passo, primeiro a importância de ter uma postura correta e a observação e respeito com o corpo e seus limites. Depois a teoria, a leitura musical, e vou acrescentando passo a passo as notas e suas dificuldades, assim como escalas e arpejos, construindo ao longo do tempo a técnica e mostrando os porquês de cada movimento ser do jeito que é, respeitando a anatomia de cada um.





quarta-feira, 22 de junho de 2011

Didática

14/03/2011

Fomos todos apresentados.Aluno e professores. Colegas de trabalho. 
A única diferença que nos separa é o quanto cada um sabe, uns mais, outros menos. 
Porém existe algo que nos une: o prazer e a vontade de ensinar. 
E todos estávamos ali, com o mesmo desejo de trocarmos nossas experiências ao longo do curso, adquirindo com nossos mestres novas ferramentas para conseguirmos chegar ao universo imensurável que são nossos alunos.

21/03/2011

“Por isto, dialógico, daí que não possa a liderança dizer sua palavra sozinha, mas com o povo. A liderança que assim não proceda, que insiste em impor sua palavra de ordem não organiza,manipula o povo. Não liberta, oprime. Se nada ficar destas páginas, algo pelo menos esperamos, que permaneça: nossa confiança no povo, nossa fé nos homens  e na criação de um mundo  em que seja menos difícil amar...” – Paulo Freire

Didática: A palavra didática vem da expressão grega Τεχνή διδακτική (techné didaktiké), que se pode traduzir como arte ou técnica de ensinar. É a parte da pedagogia que se ocupa dos métodos e técnicas de ensino, destinados a colocar em prática as diretrizes da teoria pedagógica,. Estuda os diferentes processos de ensino e aprendizagem.

 "A palavra porque é uma universidade" - Koellreutter


Segundo Paulo Freire, o processo de ensino-aprendizagem se inicia em um momento especial, quando o educador está vivendo na comunidade dos educandos, observando suas vidas e participando de seus apuros e pesquisando sobre a comunidade, deixando de ser educador para ser educador-educando.

Dalcroze buscava interligar o maior número de estímulos a fim de promover o desenvolvimento do indivíduo por completo, preparando-o para a livre criação, resolução de problemas, bom relacionamento pessoal, elaboração de novos produtos importantes e adequados para determinados ambientes ou culturas.
 
Reflexão...

Ensinar é mais do que passar conteúdo. Grandes mestres ultrapassaram gerações, pois buscaram o ser humano em sua essência e o imergiram nessa fonte inesgotável que é o saber!!! Ensinar é aprender, é trocar, é se relacionar com o outro, de forma aberta. Estar atento ao menor dos detalhes, pois pode estar aí a chave para um enlace que às vezes dura para sempre.

Paradigmas: padrões pré-estabelecidos, conjunto de regras para qualquer coisa que se faça na vida.

Como é difícil quebrar um paradigma... às vezes levamos anos, e às vezes... simplesmente não conseguimos.



 


28/03/2011

Ouvir a música... nosso cotidiano está repleto dela em todos os lugares, o tempo todo. Porém é difícil desenvolver o exercício da escuta. 
Quando, no início da aula, com a luz apagada e olhos fechados, em forma de roda, tivemos que  ouvir...sentir... Nossa!!! Que sensação estranha e ao mesmo tempo agradável...Ouvir, simplesmente ouvir... ouvir sua subdivisão, sua melodia, os elementos que estão por trás da melodia principal... Foi uma experiência inesquecível!!!


04/04/2011 

“...Nós fazemos um discurso em favor da maior abertura da escola, mas, na prática, continuamos autoritários...” – Paulo Freire
Foi discutida a posição da escola, e, consequentemente, do educador. Não havia ainda pensado no poder que nós, educadores temos sobre a vida das pesssoas, pois, as direcionamos, de certa forma, e elas entram, muitas vezes de coração aberto para nos ouvir. A reponsabilidade é grande, pois somos, muitas vezes responsáveis por suas modificação na maneira de pensar, de agir, de falar. No modelo atual, memorizar, decorar, copiar é o ideal.  Porém, esse formato em que fomos criados e educados é o ideal? Se não é, estamos fazendo alguma coisa para que haja uma educação mais adequada? Esse é um paradigma a ser quebrado. Poder político. Pensando na história da humanidade, o conhecimento sempre foi um perigo enorme para os grandes imperadores, consequentemente, objeto de manipulação das sociedades. Hoje em dia, entende-se que a educação é uma via de mão dupla, onde devemos tratar o aluno de igual para igual, sem amarras. A tendência é humanista, onde o professor deve tecer um certo laço de amizade para que o aluno se sinta à vontade para demonstrar os seus questionamentos, sem medo.   

"O novo nasce do velho"

                        Vídeo: Paulo Freire - Pedagogia do Oprimido
11/04/2011

Experimentar. Fazer o novo a partir do velho. Parece simples mas não é. Experimentar a música é como se todos os conceitos se dissipassem e fosse necessário começar novamente do zero, inventando o que ainda não foi criado.Venho da cultura erudita, cheia de regras e detalhes. A sensação é que a liberdade aprisiona.


18/04/2011

 Marquês Pierre Simon de Laplace-matemático, astrônomo e físico francês, organizou a astronomia matemática,sumarizando e ampliando o trabalho de seu predecessores nos cinco volumes do seu Mécanique Céleste. Esta obra-prima traduziu o estudo geométrico da mecânica clássica usada por Isaac Newton para um estudo baseado em cálculo, conhecido como mecânica física. Formulou a equação de Laplace, e teve grande participação nos ramos da física matemática e na matemática aplicada. 
Teoria do Demônio de Laplace:o Diabo seria uma entidade que possui o conhecimento de todas as variáreis possíveis do universo, podendo prever o futuro de qualquer fenômeno, inclusive interferindo no mesmo. O que contradiz essa teoria é a Teoria do Caos (Efeito Borboleta).

"O paradigma é inconsciente, mas irriga o pensamento consciente, controla-o e, neste sentido, é também supraconsciente." - Morin
Pensando sobre paradigmas... como somos repletos deles!!! Tomando maior consciência do seu significado, e prestando atenção na aula, me recordei de muitos paradigmas que fui me libertando ao longo da vida, e como é dificil abandonarmos um conceito que para nós é verdadeiro, num dado momento.

Falando sobre a teoria da complexidade, começamos a identificar tudo o que existe de uma maneira mais ampla.  Tudo funciona de maneira interdependente, onde tudo se completa. O conceito de linearidade é posto de lado, onde tomamos conta da vulneabilidade em que nós estamos emergidos, onde na natureza o equilíbrio entre todos os seres que a compõe (incluindo o ser humano) é essencial para sua perpetuação, sendo nomeada por "Teia da Vida" por Fritjof Capra, onde todos os seres se interdependem para viver e sobreviver. A visão mecanicista, legado da Revolução Francesa, está sendo ultrapassada por uma visão mais humanista, mais completa, mais complexa. A necessidade de olharmos para nós mesmos se torna urgente, como seres que são compostos não só por razão, mas também por emoção, onde ambos não são mais antagônicos, mas complementares. Corpo e sentimento são um só, onde um influencia e interfere no outro, iniciando uma busca pelo equilíbrio, que só acontecerá quando pararmos e olharmos com honestidade para dentro de nós mesmos.

25/04/2011

                                      Vídeo: Mudar pardigmas é difícil

O vídeo acima expressa muito bem a quebra de paradigmas, onde é difícil mudar a forma de pensamento , abandonar o velho e aceitar o novo. E isso é em qualquer época, onde as novas gerações já estão mais abertas para os novos avanços em todas as áreas do conhecimento.

02/05/2011 

"O aluno não escolhe ir para a escola, ele é posto na escola"  -  Enny Parejo

Falamos sobre processo de ensino/aprendizagem, onde consiste em três etapas fundamentais : intervenção, encaminhamentos e devolução do processo.

"o planejamento às vezes dá certo, acontece exatamente como planejado, mas nem sempre, porque os alunos estão vivos, pensam, interferem na aula" - Enny Parejo

Foi uma aula muito interessante, porque me fez refletir sobre o meu trabalho como professora de música. Me fez pensar na devolutiva que os pais e alunos esperam, no atual modelo de ensino, que são as notas, pois para eles tirar boas notas significa que ele realmente está aprendendo, e... nem sempre!
Me fez pensar na devolutiva que nós, professores de instrumento damos (as audições), e em como elas são feitas. Quais são os critérios que demonstram efetivamente o que cada um aprende e apreende o que está sendo ensinado? É possível mensurar o conhecimento por números?


"A avaliação é para o professor, não para o aluno"


09/05/2011

A aula começou com uma dança circular. 
Continuamos falando sobre planejamento. Ainda para mim a quebra de paradigmas é uma questão a ser trabalhada, pois, para uma prática de ensino mais aberta, ainda lido com a rigidez que o instrumento que escolhi me impõem. 
Definir objetivos. Outra questão a ser definida.

"O sonho sempre tem que estar presente, e adaptar o sonho à realidade " - alguém comentou.

A música trabalha com o que é mais íntimo de cada ser e com o rompimento de barreiras que cada um tem nos seus diversos estágios de aprendizado.


Cesar Coll -Foi um dos principais coordenadores da reforma educacional espanhola e consultor do MEC na elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais, aqui no Brasil. Inspirado em Jean Piaget, Coll orienta todo seu pensamento numa concepção construtivista de ensino-aprendizagem. 


Origem: http://educarparacrescer.abril.com.br

23/05/2011

Como fazer para que o aluno se sinta motivado?

A questão é que não sabemos para que vamos à escola, para que estudamos, para que estudamos o que nos é exposto e imposto na escola? Qual o contexto que o que estudamos está inserido? Tudo tem que ter um contexto. A única finalidade de estudar é ter um bom emprego ou crescermos como indivíduo pensante?

Avaliar... a avaliação deve ser feita dia a dia, ou no final do curso com uma nota final? Avaliamos a teoria ou a vivência? Nós,  professores, prestamos atenção nisso???

Discutimos sobre avaliação...

Volta e meia me pergunto: Onde está o brilho no olhar que tínhamos quando pequenos? Como resgatar isso? Como fazer com que a escola deixe de ser sinônimo de opressão e de castigo? Ter é antonimo de Querer.

O que me chamou mais a atenção foi que eu havia me esquecido de contextualizar os elementos que eu trabalho. Fui mergulhando no meu subconsciente e em questão de segundos ... me encontrei!!!
"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz."    Platão 

30/05/2011

"Aquele que não é capaz de governar a si mesmo, não será capaz de governar os outros."- Ghandi

"Para ensinar amor, precisamos ter amor. Para avaliarmos o outro, temos que primeiro sermos avaliados por nossa própria consciência."

Trans - abertura do olhar sobre o mundo em todos os aspectos que a consciência consiga abranger.

A transdisciplinaridade surge como possibilidade para o alargamento da compreensão do real, como renascimento do espírito e de uma nova consciência. Nasce da premente exigência de consagrar o diálogo entre diferentes campos do saber sem impor o domínio de uns sobre os outros, acercando-se de uma atitude e de uma postura que orientem a interação e a "reliance" entre os profissionais e seus conhecimentos.
Para haver essa dita transdisciplinaridade, é preciso haver um pensamento organizador, chamado pensamento complexo. O verdadeiro problema não é fazer uma adição de conhecimento, é organizar todo o conhecimento. A transdisciplinaridade supõe agir sobre os saberes que vimos produzindo, atuando sobre os valores que os mantém, o modo de praticá-los, questionando as "chamadas" novas competências individuais e coletivas; faz-nos retomar as marcas profundas que a história nos legou, utilizando este aprendizado como experiência essencial na reorientação de novas ações e de uma nova ética. Consiste, portanto, no exercício crítico em que concorrem pensamento, ação, experiência, diferença, valores.


Fonte: http://www.pucsp.br/nemess/links/artigos/marialucia3.htm


 06/06/2011
                           Vídeo: Sociedade dos poetas mortos "Carpe Diem"

Assisti esse filme há muitos anos, e nunca me esqueci dessa cena. Carpe diem. Sempre me lembro disso quando estou desmotivada ou exausta. Não podemos passar pela vida sem deixar nosso legado. Trabalhar por dinheiro... dinheiro vem, vai, e o quê mais? Existe algo maior do que isso. E vejo que não tem recompensa maior do que tentar não deixar o brilho que cada um tem dentro de si se apagar, quando estão àvidos por conhecimento, como se vissem um oásis em meio a um deserto. A energia contagia e... isso é o que fica.

13/06/2011

"Eu não luto pela luta pelo poder, luto pela tomada de consciência."- Armando Gatti - Diretor de teatro

Música, movimento, corpo, alma, coração, inquietação! Nesse curso descobri que não estou sozinha, que ainda existem muitas pessoas que não se conformam com a sociedade atual, não se conformam com a ignorância, com a falta de estrutura, e que estão dispostos a trabalhar para que a sociedade deixe um pouco a escuridão em que está imergida e veja um pouco de luz. É contraditório pensar que nunca na história da humanidade tivemos tanta liberdade e facilidade de nos expressar, abundância de informação e meios de comunicação, em todos os níveis e de todas as áreas do conhecimento. Nunca essa busca pelo equilíbrio foi tão grande, em querer curar não só os males do corpo mas os da alma também. Porém, nunca a maldade foi tão perversa, a ignorância tão escancarada, os vícios nunca estiveram tão presentes em nossos jovens e o interesse individual nunca foi tão mais importante que o bem comum por aqueles que detém o poder - e pasmem - de forma tão aberta, quase como se consentida por todos.
Temos muito a trabalhar para que a humanidade se transforme numa humanidade mais justa, mais solidária, mais humana. Estamos apenas no começo de um caminho cheio de pedras e tropeços, mas que nos levará a uma plena sensação de dever cumprido, e aí então, ganharemos nossa maior recompensa que é estar em paz com nossa consciência.