Émile Henri Jaques nasceu em Viena, em 1865. Seus pais eram suíços e retornaram ao país de origem em 1875. Dalcroze foi o nome adotado profissionalmente por ele, que esteve sempre envolvido pela música e outras manifestações artísticas. Além de musicista, Dalcroze foi jornalista, ator (clown), professor de harmonia, solfejo e história da música (Conservatório de Genebra), regente de orquestra (Argélia), compositor, diretor teatral (mise en scène) e coreógrafo. Criou em Genebra (1914) o Instituto Jaques-Dalcroze e fundou várias escolas de “euritmia” em diversas capitais européias. Dalcroze morreu em Genebra, em 1º de julho de 1950. Escreveu quatro óperas, grandes obras corais, dois concertos para violino, três quartetos para cordas e numerosas coletâneas de canções inspiradas no folclore suíço. Para ele, “o ritmo é o alicerce de toda a arte”.
O gesto transmite o estado emocional. A condução gestual e a condução respiratória estão completamente ligadas.
O estudo continuado de euritmia Dacroze, solfejo e improvisação tende a aumentar a concentração e foco, melhorar a coordenação e equilíbrio, enriquecer a audição e aguçar os sentidos.Em uma classe Dalcroze, os alunos são liberados das limitações de desempenho formal para a experiência do profundo conhecimento musical eo sentimento evocado através do movimento. Quando eles descobriram-se como a fonte de sua musicalidade própria, eles têm muito a trazer para a sala de prática ou para o palco. Com base na filosofia de que somos o instrumento, Dalcroze nos convida a viver o que ouvimos.
(Fonte: http://www.dalcrozeusa.org/)
Canais de percepção: ouvido, olho, voz, tátil
Música - contato neuro-afetivo/ neuro-sensorial
Gesto - cheirar a rosa - controla o ar que é conduzido pelo diafragma - coluna de ar
Equilíbrio - consciência de um centro
Na pedagogia Dalcroze, primeiro há a necessidade de sentir, vivenciar a música, somente depois codificá-la.
" O homem quando respira, está criando algo." - Platão
Por quê? Para quê? Quais os resultados que eu penso obter?
" Somos atores de sons, e no teatro, são atores de palavras."
" O professor de música não ensina música, ensina a vida."
Música, técnica e tecnologia sempre estiveram ligadas, não apenas em sua produção mas também com relação ao desenvolvimento de sua teoria e ao estabelecimento de seu papel cultural. Devida às descobertas de aspectos fisicos e cognitivos do som, ao acesso à energia elétrica barata e à aplicação das tecnologias eletrônica e digital na geração sonora artificial, essa relação se tornou mais intensa a partir do século XX.
A maneira de se produzir o som até o século XIX era mecânica; a relação instrumentista/instrumento era imprescindível, pois somente era possível ouvir música se alguém tocasse ao vivo, naquele exato momento. Ficava na memória a lembrança, para quem ouvia, do exato momento em que o som era produzido, da maneira como era produzido, do gesto do intrumentista ao tocar. Agora, é possível se produzir som sem a presença de instrumentos mecânicos,utilizando apenas osciladores eletrônicos contidos em um sintetizador. Também se ouve música sem ter instrumentista ao vivo, por meio de gravação. Agora, pessoas que não estão ligadas à performance, propriamente dita, interferem na produção de um disco, não sendo, às vezes, necessária a presença do músico.(...)
(...)Porém, as realidade física, biológica e social dessa presença empresta à performmance musical, tão imateria e intangível, uma espécie de materialidade.
Música Mecanizada
A música muda de função, deixando de ser produzida para ser tocada para ser ouvida, e os processos de composição e interpretação passam a ser os meios pelos quais isso se realiza.
Quando surgiram os primeiros aparelhos fonográficos no final do século XIX, o padrão de escuta que esses aparelhos queriamreproduzir era baseado na experiência auditiva da época: as apresentações ao vivo(motivo pelo qual foi dado o nome de altafidelidade). Com o passar do tempo, o modelo de referência de escuta mudou, e o termo fidelidade passou a ser designado ao padrão imposto pela própria tecnologia de gravação. Hoje, o reprodução ao vivo passou ter como referência as gravações reproduzidas pelos meios de aparelhos fonográficos, como o rádio, o disco, o cd e o dvd. A partir daí, a possibilidade de escuta de um número infinitamente maior de estilos musicais, inclusive de outras nacionalidades culminou no que chamamos hoje de world-music. Para o ouvinte, essa adaptação ao meio sonoro a que estamos expostos sempre será dada como referência, pois em todas as épocas, a maneira que se fazia música era característico às condições da época, inclusive no que tange às condições do próprio instrumento em que a música era reproduzida. Sempre haverá essa dualidade do antigo com o novo, pois em todas as épocas, os avanços na área tecnológica, tanto no que tange o desenvolvimento de instrumentos de melhor qualidade quanto no que tange o desenvolvimento de aparelhos digitais, se fará presente.
O Gesto Musical
A segunda alteração na produção sonora é com relação ao gesto musical. Movimento este que é capaz de expressar algo.
Diferente de movimentos repetitivos, como os que são feitos ao digitar ou operar uma máquina, o gesto é capaz de modificar o resultado final de uma performance, de acordo como gestos produzidos pelo instrumentista.
Distinguem-se também os gestos físicos dos gestos mentais, sendo que o primeiro refere-se à produção do som enquanto fenômeno físico, ação causal entre ação gestual e seus resultados sonoros, e o segundo está relacionado aos processos de composição, interpretação e audição.
Em resumo, o gesto físico está ligado mais diretamente à interpretação e o gesto mental à composição.
Do Gesto Instrumental à Acusmática
A música sempre teve uma relação direta com o desenvolvimento dos instrumentos, sendo que o compositor sempre utilizou dos recursos tecnológicos que estiveram à sua disposição para elaborar suas composições. De Bach a Beethoven, os instrumentos disponíveis tinham recursos diferentes, cada um à sua época, o que pôde, de uma certa forma, contribuir com o desenvolvimento da música de cada período em questão. Até há pouco tempo atrás, a produção musical era necessariamente realizada através da performance, do trabalho dos músicos sobre seus instrumentos e, portanto, o desenvolvimento da habilidade técnica dos instrumentistas sempre foi uma meta importante na educação musical. Mesmo o aprendizado de composição ocorria geralmente após uma razoável prática instrumental, ou seja, estava ligado ao corpo do instrumento e instrumentista, relacionando-se com os músculos, nervos e matéria vibrante que compõem essas fontes sonoras.Com o surgimento das tecnologias eletrônicas e digitais, esse conhecimento pode derivar de espreiências praticamente restritas ao domínio mental, descorporificadas, sem relação com a fisicalidade de objetos materiais, gestos e movimentos implícitos na performance de um instrumento. Com relação ao som produzido por instrumento de orquestra, ao escutar não se têm dúvida com relação ao timbre do instrumento e à qualidade do gesto do instrumentista. Já com relação ao som digital, muitas vezes a dúvida em relação ao timbre é uma constante, pois a intenção é realmente destruir qualquer semelhança com o som produzido pelo instrumento acústico. Ao desviar o foco do gesto instrumental para a atitude acusmática, onde se ouve o som sem que se identifique a fonte, a música eletroacústica tende a perder a dramaticidade gerada pela presença do intérprete com sua gestualidade; motivo pelo qual a cada vez mais os compositores incluem intérpretes humanos atuantes interativamente com o material eletroacústico de suas obras. A cada vez mais o gesto se distancia do som, uma vez que às vezes fica difícil saber ao certo, inclusive, se o botão do aparelho eletrônico foi acionado ou foi apenas uma modificação feita pela própria máquina.
A Luteria Eletrônica
Ondes Martenot et Theremin music instrumentist
As práticas musicais, a partir do século XX, com a possibilidade de novas experimentações no campo da música eletrônica e, principalmente a partir dos anos 50, trouxeram uma certa ansiedade para novas possibilidades de criação. Independente do período da história da música, a busca pelo novo sempre existiu, trazendo algum tipo de mudança substancial.