quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Regência

08/08/2011


Tivemos nossa primeira aula de Regência. Eu tinha uma grande expectativa sobre o assunto.
Fiquei muito feliz quando soube quem iria dar o curso: Mara Campos.
Na primeira aula foi falado sobre a música "Caça à raposa", do João Bosco. Não conhecia a música, mas é apaixonante.
Pensar em planos, alto, baixo, médio e pensar em um plano de referência para apoiar os tempos: achei o máximo. Isso muda a visão de "bater os tempos".
Foi falado sobre dissociação dos movimentos e lado direito/esquerdo (difícil...)
Um exercício interessante: bater o tempo com uma mão e equilibrar uma tampa de aproximadamente 15 cm de diâmetro fazendo movimentos circulares e em S - foi interessante...

Pensamos em um tercho de uma música também... vamos fazer uma composição sobre o trecho e sobre a escolha de 2 palavras (Será que iso vai dar certo???) Enfim...






15/08/2011

Discutimos um pouco sobre a musica citada anteriomente. Vimos as diferenças de interpretação, grupos vocais e solista com acompanhamento instrumental. Há bastante diferença de uma para outra. Exercícios de trocas de mãos ... complicado de executar... mas interessante...
Após uma boa parte da aula já ter acontecido, foi nos dado a tarefa de produzir em grupo uma composição com as palavras escolhidas na aula anterior em grupo e trocamos nossas composições com outros grupos para que essa fosse executada... grande desafio, uma vez que não nos foi dado muito tempo para que as duas tarefas chegassem ao fim...
Estou a cada dia mais envolvida com essa matéria, uma vez que sempre procuro montar grupos pequenos para uma prática em conjunto com meus alunos. Estou começando a perceber a musculatura dos meus braços trabalharem no gestual necessário à regência... 

 

22/08/2011

Não houve aula. Falta da professora.

29/08/2011

Ouvimos uma gravação da música "Caça à raposa" com a interpretação do grupo Vésper. Acho que eu ainda não tinha prestado atenção às qualidades da música vocal.
Seguimos com os exercícios de marcação de compasso, intercalando os tempos binário, ternário e quaternário, onde aos poucos vamos todos nos adaptando e com uma certa fluência, colocando em prática esses gestos. 
Começamos com repertório, músicas propostas pela Mara, onde achei muito interessante, eu nunca participei de um coral a 4 vozes... comecei a descobrir o quanto é bom cantar... e então ela propôs que regêssemos as musicas até então trabalhadas... e lá fui eu: e quer saber: foi maravilhoso. Quando abaixei a mão e veio aquela massa sonora... nossa... que sensação de poder nas mãos, onde a sensação foi como se esse som viesse do céu... inesquecível. Até deu vontade de participar de algum coro!!! Logo eu, que sempre dei prioridade para grupos instrumentais... Vê se pode!!! Um novo universo de novas descobertas... Viva a Vida!!!


05/09/2011

A aula começou diferente hoje: reflexão de como é se portar diante de um grupo de crianças e iniciar um bom trabalho, sendo que as crianças não estão ali por livre e espontânea vontade... principalmente se o grupo é numeroso, e quanto tempo é necessário para que um trabalho mínimo seja realizado, para que as crianças entendam o que é trabalhar em grupo, da importância de cada uma delas no coletivo. Como é  prender a atenção de forma que elas se interessem em realizar o trabalho, enfim... essa magia que é a música sendo realizada de forma satisfatória... Sugestões foram dadas, e percebi que, apesar de a professora ser experiente, a cada nova situação, novos problemas aparecem, e novas soluções tem que ser descobertas...

Fizemos exercícios de marcação de compasso em roda, cada um direcionando o número de compasso desejado, para ser executado por toda a roda. Foi divertido, e creio que todos já estão conseguindo pensar mais rapidamente.
Sinto a musculatura dos meus braços mais presente nesse exercício...

Depois, lemos mais duas musicas propostas... foi mais uma experiência interessante...



12/09/2011

Na aula de hoje foram propostos exercícios com ruídos curtos (rr) e longos (ss), com e sem stacato. O grupo foi dividido em 2, sendo que o regente escolhia os sons a serem feitos. Isso foi muito interessante, porque trouxe uma precisão muito grande ao grupo como um todo.
Foi proposto também escolher um som médio e todos tinham que chegar a uma afinação só... isso é curioso... ceder, ouvir... demorou um pouco para todos entrarmos em um consenso...
Depois, nosso senso de observação foi ativado, onde tínhamos que dar 1 passo à frente, à condução do regente. O inverso também foi proposto, e fazer o mesmo exercício com transferência de peso.
Em dupla, sem e com contagem de tepo, nos foi proposto imitar o gesto em cânone. A complementaridade do gesto também foi proposta.
Agora, trabalhando com palavras, imitando o gesto espelhado, foi proposto falar uma palavra em cânone... isso é difícil!!!

19/09/2011

Nessa aula, regemos tempos diversos: 2,3,4,5,6 tempos. É mais um exercício mental do que físico... e como cansa!!!!
Treinamos também exercícios de condensação, divisão, aumentação, onde aí a atenção tem que ser redobrada!!!
Então partimos para a estruturação da melodia, e começamos com melodias já conhecidas, como por exemplo Terezinha de Jesus, Roda Pião e exercitamos alternativas de cantar e resolver possíveis problemas de ritmo.
Na verdade, o professor ou regente tem que identificar rapidamente qual é o problema que está impedindo o grupo de realizar aquela musica / atividade e criar maneiras de solucionar aquela dificuldade numa linguagem que o grupo entenda, adequada de acordo com o grau de instrução e faixa etária das pessoas que o compõem.

Coincidentemente assisti na TV Cultura um filme que fizeram em comemoração aos 20 anos que o grande Maestro Valery Gergiev está à frente da Orquestra Filarmonica de Rotterdam. 

Para ele... 
"Os olhos são 95% da regência. Os braços é o que menos importa."
Ele é muito denso. É impressionante vê-lo reger e como ele muda a interpretação da orquestra quando está em seu comando... Bravo!!!

Gergiev teaches conducting


03/10/2011

Hoje começamos com a mudança de apoio (balanço com o corpo), intercalando o apoio do corpo com os braços, e com os braços do mesmo lado do corpo, com pulos (1,2) sem interrupções nos movimentos. Invertemos as mãos... 
Aprendemos como dar a fermata. Sustentamos o som com uma mão e marcamos os tempos com outra. Invertemos as mãos e alternamos os tempos.
Cantamos a escala de Do em ritmo ternário o montamos acordes...
Puxa... como reger envolve várias habilidades... coordenação motora, física, mental, expressiva. A emoção também tem que ser demonstrada a partir do gesto, do olhar, do sorriso, do corpo como um todo. E nem sempre a marcação do compasso é sinônimo de expressividade. A comunicação do maestro com o grupo (tanto orquestra quanto coral) tem que ser inteira, completa.

   

The master and his Pupil by Valery Gergiev and Alexis Soriano conductor.flv


10/10/2011

Fizemos uma roda. E a atividade era: passar o som de um para o outro, sendo que o 2º modifica o som recebido pelo 1º. 
Era difícil criar na hora sem ter tempo para pensar... e isso é reger. É se virar nos 30 e realizar, fazer acontecer. Ser criativo, dinâmico... a nossa mente  tem que estar em constante atividade, ligado o tempo todo sem "deixar a peteca cair". E isso é fascinante...
Trabalhamos em duplas, fazendo o exercício de transformar as fórmulas de compasso, um de frente para o outro...Foi divertido...


17/10/2011

Fizemos uma roda com sons de x, s, z onde cada um regeu e dicas de ensaio foram dadas. Intensidades foram exploradas... e como é difícil mudar e indicar a mudança de intensidade!!!
Exercitamos novamente a atividade proposta na primeira aula, uma vez que agra tínhamos mais consciencia para fazê-lo, feita em grupos de 4 pessoas. Foi muito divertido... aos poucos a turma foi se soltando e ficando mais concentrada também...
Por fim, houve a prática da peça elaborada pelas turmas, foi bastante ijnteressante e deu para ver como a atuação do regente e a sua criatividade mudam a execução da peça... é imperessionante!!!
 
24/10/2011

Falta  da professora. 
Ela mandou um texto para desenvolvermos: Conceito da Regencia Coral
No meu caso, como eu trabalho com cordas, adaptei para a minha realidade e expus a maneira como trabalho:


Concordo com o texto, pois o regente deve ser claro em seu gesto, assim como na sua expressão corporal e facial. Nem sempre é fácil ser claro, expressar aquilo que realmente estamos pensando, fazer com que toda a expressão seja reflexo da nossa personalidade e do nosso conhecimento sobre a peça, pois na minha prática muitas vezes me pego pensando uma coisa e a mão acompanha muitas vezes o meu pensamento, às vezes um ritmo ou mesmo frase por inteiro e não as batidas do tempo em questão. Sincronizar uma coisa com outra exige um certo preparo e atenção que vai se resolvendo no decorrer dos ensaios.

Há um esforço por parte do regente, assim como, acredito eu, em todo professor ou líder em motivar sua equipe, sua turma, seus alunos, pois tudo exige uma certa motivação. As pessoas que são lideradas devem ver em seu mestre um exemplo, e acima de tudo, ter confiança de que ele é capaz e que vai saber guiar o grupo de maneira exemplar.

Ás vezes quando eu vejo em meus ensaios minhas alunas cansadas, estando ali por pulso, e eu me encontro, às vezes num estado físico semelhante, eu não posso deixar que o cansaço e o desânimo apareçam, pois se quem guia está assim, o ensaio corre o risco de não acontecer. As informações devem ser passadas de forma gradativa, de modo que o interesse no aprendizado seja uma constante no decorrer dos ensaios.



O equilíbrio entre a liberdade interpretativa e a preservação do estilo também devem ser bem ponderadas. Às vezes um arranjo novo, uma forma nova de ver a música em questão também é uma forma de motivação, a meu ver.



Toda peça escolhida deve ter uma finalidade, pois cada regente deve saber o nível técnico que o grupo tem, pois cada peça deve ter, na minha opinião, os elementos que estão sendo trabalhados no semestre pelo professor do instrumento (no meu caso). Mesmo que as pessoas que compõem o grupo tenham níveis diferentes, elas devem se encaixar nas vozes que estão de acordo com seu nível e aprender algo com aquilo. Acho que deve conter uma pequena dificuldade para que o grupo se sinta motivado, porém eles devem ter a certeza de que tem plenas condições de realizar a peça. Um trabalho bem sucedido faz milagres!!!



Deve–se pensar no espaço que o grupo fará sua  apresentação, pois deve ser de acordo com o tamanho do grupo.



No início do primeiro ensaio, as partes mais difíceis devem ser apontadas e o regente tem que saber onde estão as principais dificuldades, onde estão as perguntas e respostas dos naipes, arcadas, enfatizar a leitura e a fixação da tonalidade, tocar, para aquecimento, as tonalidades das peças em questão para fixar a presença ou ausência dos acidentes, passagens com ligaduras, região do arco mais apropriada para determinada parte da peça, enfim, saber como levar o grupo e resolver as dificuldades desde o início para seja instalada inconscientemente a plena confiança no bom trabalho que está sendo desenvolvido.


31/10/2011


Hoje quem deu a aula foi Fernando Grecco, amigo da Mara, e a aula foi sobre Jogos Teatrais.  E foi muito divertido!!! 

Gostei demais dos jogos propostos, e confesso, estava meio ressabiada no início da aula, mas depois comecei a curtir o que estava sendo proposto.

Foi muito divertido, fazia tempo que eu não me divertia assim, e foi muito bom lembrar da infância. Acho que todos se tornaram um pouco crianças ao se entregar nas brincadeiras.

Pontos críticos: senti dificuldade em identificar e realizar somente o foco do problema em questão. Acho que todos demoraram um pouco para se concentrar e realizar o objetivo. Senti que havia uma necessidade muito grande de se trabalhar em equipe, e, como o grupo estava um pouco disperso, demorou que as peças engrenassem e que a turma trabalhasse em conjunto, principalmente na atividade da corda. 

Havia uma certa pressão do tempo em se realizar a atividade, e um pouco de disciplina. Acho que realmente, esses jogos, sendo realizados com uma certa frequência induz o grupo em se tornar um grupo, dá uma certa unidade, e não pessoas individuais contando, tocando ou atuando juntas. Esses jogos melhoram a visão periférica e a percepção, o raciocínio lógico em questão.

Foi passado um texto para analisarmos, sendo que na minha concepção, o adulto está sempre munido de crítica e raciocina, julgando, na maioria das vezes o outro, no que acha que é certo ou errado. Quando "voltamos a ser crianças", esse pré-julgamento desenvolvido na fase adulta demora um pouco para ser desfeito, e isso dificulta a compreensão das ordens dadas pelo orientador. Porém são muito interessantes, pois trabalha despindo o jogador de qualquer bagagem que tenhamos carregado ao longo dos anos, trazendo a sensação que sentíamos na infância, que é somente fazer, não questionar, deixando a emoção fluir. Ás vezes na musica a gente pensa demais quando tocamos, e deixamos o lado criativo, emocional. Isso atrapalha o desenvolvimento do aluno e intérprete pois a emoção é deixada de lado e o senso critico fica acima de qualquer inspiração criadora.

Outra característica a que não estamos acostumados é a utilização da movimentação do corpo, havendo a necessidade de pensarmos rápido e improvisarmos, levando em conta o espírito de colaboração com o grupo, sendo que todos tem que entrar em sintonia e sincronia, como num naipe de cordas de uma orquestra.

Acho que a interação entre as pessoas do grupo se solidifica, como as crianças, que se misturam com crianças, ás vezes desconhecidas, onde se tornam amigas, com um comum intuito de brincar, somente, sem se preocupar com o que a outra está pensando, se concorda, discorda com a maneira individual de cada um ser, não se importando com a personalidade individual de cada um, se o outro vai criticar ou concordar com cada ação realizada.





07/11/2011


Revisão: não preparação e preparação das entradas.
A não preparação não é tão simples...
Fizemos um exercício em roda de não preparação e foi catastrófico!!! Nós erramos insistentemente... a preparação está tão automática que fazemos sem perceber...
Então um exercício foi proposto: bater palmas na quantidade que o colega diz, sendo que cada pessoa bate uma palma só...
Exercício de reflexo também foram propostos, como por exemplo marcar a acentuação das entradas com palmas. 


Na 2ª metade da aula houve uma discussão sobre a preparação do ensaio, onde nossas conclusões foram:


1- Escolher a peça
2- Tocá-la
3- Procurar uma gravação, referências
4- Reduzir a peça, ver o que é mais importante
5- Pensar no grupo, nas dificuldades técnicas
6- Tessitura da peça
7- Tonalidade
8- Ritmo
9- Prosódia 
10 - Texto



21/11/2011

Fizemos alguns exercícios de aquecimento e de "ativação" do raciocínio, uma vez, que para a minha surpresa, não estávamos tão ágeis assim...
As frases:"Esta senhora mandou entregar esse presente àquele senhor", "A Mara mandou entregar esse presente o Anderson", "Aquela contralto mandou entregar esse presente àquele baixo" e depois para misturar os três exemplos deu um nó a todos nós... ufa... conseguimos!!!
Regemos marcando o tempo com os pés e o contratempo também...(esse último mais difícil!!!)

Foi muito legal, foi bem divertido e a atenção redobrada. Total concentração de todos para que fluísse... e é engraçado sentir como trava tudo... mas depois de um certo tempo foram se dissipando as dificuldades e aí ficou gostoso o exercício...

Na segunda parte, a Mara deu técnicas de ensaio, com uma certa sequência de vogais, consoantes, pequenos vocalizes, bem esclarecedor... apesar de que para a minha realidade atual eu não uso a voz e sim o instrumento, mas foi bom saber como iniciar um início de ensaio de coro... 




28/11/2011

Faltei nessa aula.

05/12/2011

Essa aula foi só de regência, onde trabalhamos 2 peças. Regi, mas é estranho reger algo que a gente não domina. Fiquei pensando como seria diferente se fossem instrumentos de cordas e não coro. Senti como algo que realmente não me é familiar... E a questão não é a condução em si, mas a resolução de problemas... mas de qualquer forma foi fascinante ter contato com esse mundo novo o qual eu desconhecia... e começar a ter aulas de regência!!! Meu Deus, eu jamais imaginei um dia ter aulas de Regência, ainda mais com a Maestrina Mara Campos!!! Como valeu estar fazendo pós-graduação...

31/12/2011

Música no cinema: Um acorde para cada sentimento 

Maria Alice da Cruz


Música no cinema


Desde que começou a fazer parte das pesquisas da área de cinema, a música deixou de ser pensada como um simples acessório da produção cinematográfica.
Vários estudos mostram que, quando aplicada no contexto da construção audiovisual, a música passa a agregar valor à narrativa da imagem.
No que diz respeito a cenas de amor, este gênero artístico tornou-se elemento indispensável.
Porém, para compreender a convivência entre música e imagem é preciso uma análise refinada, como as que se apresentam na pesquisa do professor César Henrique Rocha Franco, da Unicamp.

Músicas de amor

A partir da análise pormenorizada de partituras, a pesquisa aponta aspectos da construção musical que contribuem na arquitetura audiovisual de cenas românticas.
As timegoes by, do filme Casablanca (1942); Moon River, de Bonequinha de Luxo (1961); e Love Theme, da ficção Blade Runner (1982), estão entre as peças estudadas por Franco.
O pesquisador investigou os procedimentos composicionais utilizados nesses e em outros temas. O estudo contém um exame detalhado das convenções musicais do gênero fílmico melodrama romântico, observando minuciosamente as características musicais.
Além de aprimorar o estudo de significados estabelecidos em convenções melódicas abordadas em outros estudos, como o livro The Language of Music, de Deryck Cooke, o trabalho inaugura uma nova fase na área de pesquisa em música aplicada à dramaturgia e à produção audiovisual, por fundamentar os resultados em aspectos da teoria musical, analisando todas as unidades musicais presentes nas partituras dos temas de produções melodramáticas ou não.
O orientador do trabalho, professor Claudiney Carrasco, disse desconhecer outra pesquisa brasileira dedicada à abordagem analítica de temas de amor no cinema. Ele afirma que, até o momento, vários estudos investiram na análise de texto, mas não se tem conhecimento de outro trabalho dedicado à análise usando referencial e recursos musicais para observar e tentar compreender como se dá a construção do sentido audiovisual. "César consegue avançar na pesquisa sobre a construção do sentido por meio da música no contexto audiovisual", reforça.

Melodias do sentimento
O pesquisador mostra que a escolha da música vai, de fato, muito além daquilo que o ouvido parece pedir: uma tonalidade menor para a tristeza, uma tonalidade maior para a alegria, um andamento mais rápido ou mais lento para determinadas ações, um acorde apropriado para cada sentimento.
Esta seria uma análise mais simplista, segundo Carrasco, mas Franco mostra que era preciso observar todas as unidades musicais. "Trata-se de pesquisa fina, em que cada unidade musical deve ser observada para não cair numa análise simplista", acrescenta Carrasco.
De acordo com Franco, os elementos musicais observados durante a pesquisa são capazes de representar emoções e sentimentos diversos vividos pelos personagens.
Ao estudar as unidades musicais presentes na partitura de As time goes by, por exemplo, ele observa que há uma concordância entre o perfil melódico não só com a cena, mas com a situação vivida pelos personagens da história do filme Casablanca. Os movimentos ascendentes ou descendentes vão ajudando a compor as cenas e até a modificar a história de amor entre os personagens Rick e Ilsa.
Enquanto o primeiro movimento representa a alegria do reencontro, o segundo acompanha o forte teor passional em que o casal se separa e, segundo Franco, "se não é a exata expressão de uma alegria passiva, também não é a de dor profunda, mas de resignação, de aceitação reconfortante".
As time goes by, segundo ele, é um exemplo de adequação da música à cena de amor. Ele explica que depois de analisar as características da estrutura musical desta canção e a exploração dela na narrativa do filme Casablanca, seja na sua forma original, ou com tratamento orquestral dado pelo compositor Max Steiner (1888-1971), é possível reafirmar a ênfase dada por ela ao sentido emotivo das cenas que integra.
Ainda tomando como exemplo As time goes by, Franco afirma que algumas convenções musicais do melodrama coincidem com certas características desta canção. Uma delas é a execução do piano com a voz. Outra convenção diz respeito às harmonias que incorporam notas "estranhas" à formação triádica (três sons) dos acordes. A música está presente em todos os momentos da relação do casal, marcada por ressentimentos, tristeza e a repressão dos sentimentos (especialmente por parte de Rick).

Música e letra

Segundo a análise de Franco, as manipulações realizadas posteriormente na trilha musical do filme, por Steiner, transformam a canção em vários aspectos, incorporando outros elementos do paradigma do melodrama, como a orquestração fazendo amplo uso das cordas, com a melodia executada nos violinos. A música consegue mudar a emoção das cenas. O pesquisador fez uma análise criteriosa comparando aspectos melódicos e rítmicos da canção.
Por se tratar de uma canção, Franco também se preocupou em analisar a interação entre a fraseologia musical e a letra, o que tornou mais evidente a importância da música na narrativa. Ele observa que, assim como as idas e vindas da letra, os motivos A e B (divididos assim para aprimorar a análise) mostram um contraste melódico, marcado por movimento de impulso e retenção. "Podemos inferir que a letra da canção também se caracteriza pela mescla, ou alternância de impulso (emocional) e retenção, de diálogo e narração, de expressão pessoal e comentário", explica Franco.
Na letra, o impulso e a retenção são marcados por momentos de paixão e de interrupção da paixão e Steiner acentua essas emoções com seu arranjo.
De acordo com Franco, as unidades musicais se repetem em diferentes partituras, mesmo que as produções não tenham o mesmo gênero fílmico ou apresentem desdobramentos contrários. Por exemplo, o movimento ascendente encontrado em Casablanca, usado geralmente para expressar ou representar um sentimento de visível, ativa e assertiva emoção de alegria, está presente em cenas de Em algum lugar do passado, Laura, Casablanca, Bonequinha de Luxo, Moscou contra 007 e Blade Runner.
Enquanto no filme Em algum lugar do passado, por exemplo, esse movimento ilustra um reencontro amoroso no além-vida, em Casablanca, ele acompanha a alegria momentânea de um reencontro interrompido pela separação ao final da história. Bonequinha de Luxo, Moscou contra 007 e Blade Runner trazem este movimento em cenas em que a alegria é expressa pelo encontro amoroso que ocorre no desfecho de cada filme, ainda que os gêneros sejam distintos.

Amor proibido

Apesar de focar a produção melodramática, entre as 16 cenas analisadas Franco incluiu títulos da ficção científica em que em algum momento a história de amor se apresenta como conteúdo importante. É o caso de Blade Runner, em que Love Theme, música romântica inserida numa linguagem popular, acompanha a relação amorosa que é relevante para a continuidade da narrativa, pois toda a trajetória do personagem principal, o caçador de androides Rick Deckard, muda por causa de Rachel, mulher por quem se apaixona.
Já em Bonequinha de Luxo, tema de Moon River, acompanha tanto a personagem principal, Holly Golightly, quanto a cena de amor. Em Star Wars, o romance também não é o foco principal, mas o amor proibido entre o jedi Anakin e a princesa Padmé traz consequências marcantes no desenrolar da saga. Nesses momentos de afeto, o tema de amor ganha força nas produções, modificando o significado da história.
De acordo com Franco, a atribuição de significados extramusicais a determinado elemento musical, seja ele melódico, harmônico, tímbrico, é amplamente discutida entre estudiosos da área. No que diz respeito à música fílmica, ele afirma que as cenas de amor analisadas comprovam a sintonia entre imagem e música, cumprindo o significado desejado.
Outras produções importantes para a pesquisa de Franco foram Branca de neve e os sete anões (1937), Laura (1944), Vertigo (1958), Moscou contra 007 (1963), Dr. Jivago (1965), Romeu e Julieta (1968), Os girassóis da Rússia (1970), Love Story (1970), The Summer of 42 (1971), O poderoso chefão (1972), Em algum lugar do passado (1980), Cinema Paradiso (1988), e Star Wars II: Atack of clones (2002).


Fonte:http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=musica-cinema-trilha-amor&id=6562


A musica... quantas possibilidades e quanto nos toca e de uma maneira tão intensa... como dizer quanto a musica traduz o enredo da história apresentada pelo filme e quanto as imagens falam por si... como seria menos marcante o filme sem musica, uma vez que ela identifica personagens, nos remete a uma sensação de medo, romance, mistério... e mesmo sem imagem, nos  provoca quadros em nossa mente, imagens, emoção... e é instantâneo, com alguns acordes e uma melodia sobreposta viajamos imaginando e lembrando do filme em questão, nos faz lembrar de nossa vida, de pessoas importantes para nós, de nossa infência e nos traz de volta a emoção sentida no momento em que a ouvimos pela primeira vez... a musica, ah, a  música...

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